Só me resta lhe confiar meus últimos pensamentos; Eu quis lhe escrever desde o começo do processo, mas além de não me permitirem escrever, o andamento (do processo) tem sido tão rápido que eu não teria tido realmente tempo (para escrever).
Eu fui educada na religião católica, apostólica e romana, naquela de meus pais, e nela eu cresci e sempre professei; não tendo (agora) nenhuma consolação espiritual a esperar, não sabendo se existem aqui (na França) ainda padres desta religião, e mesmo (se existisse ainda padres) o lugar (a prisão) onde eu estou os exporia muito a riscos, se eles me falassem, ainda que fosse só uma vez;
Eu peço sinceramente perdão a Deus por todas as faltas que eu cometi desde que nasci.
EU ESPERO QUE DENTRO DE SUA BONDADE, ELE DESEJARÁ RECEBER BEM MINHAS ÚLTIMAS PRECES, ASSIM COMO AQUELAS QUE EU FIZ DESDE MUITO TEMPO PARA QUE ELE QUEIRA BEM RECEBER MINHA ALMA, NA SUA MISERICORDIA E NA SUA BONDADE.
Eu peço perdão a todos aqueles que conheço, e a Vós, minha irmã, em particular, de todos os sofrimentos que, sem o querer, poderia lhe ter causado; EU PERDOU A TODOS MEUS INIMIGOS PELO MAL QUE ME TÊM FEITO.
Eu digo Adeus as minhas tias e todos meus irmãos e irmãs. Eu tinha dos amigos, a idéia de não ser nunca separada deles, e o sofrimento deles são os maiores lamentos que eu levo ao morrer. QUE ELES SAIBAM PELO MENOS QUE ATÉ O ÚLTIMO INSTANTE DE MINHA VIDA EU PENSEI NELES.
Adeus! Minha boa e terna irmã. Possa esta carta chegar até Você.
Pense sempre em mim. Eu te abraço de todo meu coração, assim como minhas pobres e queridas crianças, Meu Deus!
Quanto CORTA O CORAÇÃO deixá-los para sempre!
Adeus! Adeus! Eu vou me ocupar, de agora em diante, só de meus deveres espirituais. Como eu não sou livre nas minhas ações, eles (os seus algozes), me trarão talvez um Padre, mas eu prometo solenemente, aqui, que eu não lhe direi uma palavra e o tratarei como a um estranho”.
Assinado: Marie Antoinette, Reine de France.
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